No outro dia eu estava a andar na rua, assim, daquele jeito descolado das publicidades da televisão; assim daquele jeito de moço dos anúncios de bancos, que acabou de ganhar uma dinheirama fácil, com aquela cara de que tudo é fácil, e de que o mundo é uma maravilha... Então, eu estava a andar assim na rua; porque era natal? Não, ainda não era Natal... Estava tão embargado a pensar em coisas boas, na altura como é que as baratas fazem baratinhas, lembro-me perfeitamente. E por isso não vi o que estava para vir...
Andava eu na rua como o moço do anúncio; ainda não era natal, e por isso não tinha como prever aquilo que ia acontecer; como uma daquelas vitimas dos filmes de terror... Exacto, aquelas a quem nós gritamos "Não abras a porta! Não vás para ai! Burra (porque é sempre uma menina...)!! Oh! Pronto... Já fostes!!"; bom, como uma dessas vitimas, eu não vi o carrilhão de gafanhotos a aproximar-se na minha direcção. Quem estava a assistir gritou, "Não! Não vás para aí!!! Burro!! Pronto, já fostes!!!"; e fui mesmo, lá fui eu... Envolvido naquele turbilhão de zombies que se dirigiam ao centro comercial mais próximo. Mas isso só soube depois. Por esta altura, que ainda não era Natal, eu pensava que, pela primeira vez, as pessoas tinham ultrapassado as minhas limitações enquanto ser humano, e que tinha, finalmente!, sido aceite num grupo, numa comunidade. Nem no Facebook eu tinha sido aceite... Nem mesmo no Orkut! Agora imaginem a minha emoção... Era um grupo de Zombies, é verdade... Mas um grupo! Meus amigos, e isto quem está em necessidade... Até uma mulher feia marcha!
Mas lá fui eu. Não era minha intenção ficar por ali, mas eles foram tão carinhosamente indiferentes... Senti que tinha de retribuir, e fiquei por ali pelo centro comercial mesmo... Até porque, desta vez, o segurança não me barrou, apesar de ainda não se Natal, e eu tinha de aproveitar tamanha abertura...
Sentei-me numas mesas à beira de um lugar cheio de gente; tanta gente que eu, naturalmente, pensei que estavam a dar lá qualquer coisa! Mas não, afinal as pessoas pagavam por umas caixinhas que traziam uns brinquedos... E ficavam felizes! Nossa! Saiam de lá felizes, mas tão felizes... Comovente! Tão felizes que começavam a falar, a falar, a falar... e mais alto, mais alto e mais alto... Um ruído indescritível! Quase comovente... E omnipresente! Um barulho que envolvia... Tão omnipresente que até deixei de ouvir as vozes da minha cabeça... Foi pena, ao mesmo tempo, porque naquele dia, as vozes até estavam a dizer coisas interessantes; por exemplo, "Eh pá! Já reparaste na vizinha do 2º andar?! Que prateleira...". E é verdade... É jeitosa a vizinha do 2º andar...
Não sei o que aquelas caixas traziam. Perguntei ao senhor do balcão, e ele disse carne; mas depois pôs um sorriso, que não é por nada, mas eu acho que ele estava a fazer uma metáfora... Mas aquilo deixava as pessoas felizes!! Eufóricas!!Elas ficavam histéricas a cada dentada... E excitadas! E começavam a andar frenéticas de um lado para o outro, assim, assim... Como quem trabalha! Era isso mesmo... Cara de Jack Bauer salvando o mundo de mais um ataque terrorista.
E assim elas andavam, orgulhosas, carregando sacos de um lado para o outro, como se não houvesse amanhã. Havia até uns aventureiros que corriam, e davam Flicks-Flacks, e saltos mortais encarpados... até pinos, alguns faziam!!! Agora, os pinos é que ainda não consegui entender a utilidade... acho que era só um show off básico...
Depois comecei a olhar à volta; e achei de repente que estava enganado. Que afinal eu tinha era entrado num edifício da Igreja Universal do Reino de Deus; que aquele restaurante com o palhaço, afinal, estava a distribuir formas de hóstias... e que aquela ginástica toda eram pessoas a cumprir promessas. Ah!, também que aquele senhor de barbas, vestido de vermelho, seria um santo ou uma coisa do género... Perante a fila! Parecia o Pai-Natal; mas como ainda não era Natal...
Fui lá fora, num instante, e vi que não, que aquilo era mesmo um shopping. Voltei a entrar, e então reparei nas luzes. Luzes aos milhões!!! E elas piscavam, piscavam... Como se não houvesse amanhã! E, repentinamente, senti o meu corpo pesado; fiquei firme e hirto como uma barra de ferro... e não me lembro de nada do que aconteceu nas três horas seguintes! Sei que, quando voltei a mim, eu tinha comprado meias e cuecas com uma fartura imensa! Notei também que me doíam partes do meu corpo que, na verdade, não era suposto doerem; e que uma velhota ao meu lado sorria maliciosamente para mim, com um objecto, caracterizemo-lo assim, objecto de formato fálico na mão; mas sobre isso é melhor não pensarmos...
Fiquei sem saber o que fazer com aquelas coisas todas. Afinal ainda não era Natal! E por razões de segurança óbvias, tendo em conta o facto de que a velhota se aproximava de mim, ao mesmo tempo que me chamava "docinho" com uma voz perigosa e inesperadamente grossa (a níveis de grossura que eu, sinceramente, prefiro nem pensar...) , saí dali a correr! E agora, só lá volto no Natal!
Andava eu na rua como o moço do anúncio; ainda não era natal, e por isso não tinha como prever aquilo que ia acontecer; como uma daquelas vitimas dos filmes de terror... Exacto, aquelas a quem nós gritamos "Não abras a porta! Não vás para ai! Burra (porque é sempre uma menina...)!! Oh! Pronto... Já fostes!!"; bom, como uma dessas vitimas, eu não vi o carrilhão de gafanhotos a aproximar-se na minha direcção. Quem estava a assistir gritou, "Não! Não vás para aí!!! Burro!! Pronto, já fostes!!!"; e fui mesmo, lá fui eu... Envolvido naquele turbilhão de zombies que se dirigiam ao centro comercial mais próximo. Mas isso só soube depois. Por esta altura, que ainda não era Natal, eu pensava que, pela primeira vez, as pessoas tinham ultrapassado as minhas limitações enquanto ser humano, e que tinha, finalmente!, sido aceite num grupo, numa comunidade. Nem no Facebook eu tinha sido aceite... Nem mesmo no Orkut! Agora imaginem a minha emoção... Era um grupo de Zombies, é verdade... Mas um grupo! Meus amigos, e isto quem está em necessidade... Até uma mulher feia marcha!
Mas lá fui eu. Não era minha intenção ficar por ali, mas eles foram tão carinhosamente indiferentes... Senti que tinha de retribuir, e fiquei por ali pelo centro comercial mesmo... Até porque, desta vez, o segurança não me barrou, apesar de ainda não se Natal, e eu tinha de aproveitar tamanha abertura...
Sentei-me numas mesas à beira de um lugar cheio de gente; tanta gente que eu, naturalmente, pensei que estavam a dar lá qualquer coisa! Mas não, afinal as pessoas pagavam por umas caixinhas que traziam uns brinquedos... E ficavam felizes! Nossa! Saiam de lá felizes, mas tão felizes... Comovente! Tão felizes que começavam a falar, a falar, a falar... e mais alto, mais alto e mais alto... Um ruído indescritível! Quase comovente... E omnipresente! Um barulho que envolvia... Tão omnipresente que até deixei de ouvir as vozes da minha cabeça... Foi pena, ao mesmo tempo, porque naquele dia, as vozes até estavam a dizer coisas interessantes; por exemplo, "Eh pá! Já reparaste na vizinha do 2º andar?! Que prateleira...". E é verdade... É jeitosa a vizinha do 2º andar...
Não sei o que aquelas caixas traziam. Perguntei ao senhor do balcão, e ele disse carne; mas depois pôs um sorriso, que não é por nada, mas eu acho que ele estava a fazer uma metáfora... Mas aquilo deixava as pessoas felizes!! Eufóricas!!Elas ficavam histéricas a cada dentada... E excitadas! E começavam a andar frenéticas de um lado para o outro, assim, assim... Como quem trabalha! Era isso mesmo... Cara de Jack Bauer salvando o mundo de mais um ataque terrorista.
E assim elas andavam, orgulhosas, carregando sacos de um lado para o outro, como se não houvesse amanhã. Havia até uns aventureiros que corriam, e davam Flicks-Flacks, e saltos mortais encarpados... até pinos, alguns faziam!!! Agora, os pinos é que ainda não consegui entender a utilidade... acho que era só um show off básico...
Depois comecei a olhar à volta; e achei de repente que estava enganado. Que afinal eu tinha era entrado num edifício da Igreja Universal do Reino de Deus; que aquele restaurante com o palhaço, afinal, estava a distribuir formas de hóstias... e que aquela ginástica toda eram pessoas a cumprir promessas. Ah!, também que aquele senhor de barbas, vestido de vermelho, seria um santo ou uma coisa do género... Perante a fila! Parecia o Pai-Natal; mas como ainda não era Natal...
Fui lá fora, num instante, e vi que não, que aquilo era mesmo um shopping. Voltei a entrar, e então reparei nas luzes. Luzes aos milhões!!! E elas piscavam, piscavam... Como se não houvesse amanhã! E, repentinamente, senti o meu corpo pesado; fiquei firme e hirto como uma barra de ferro... e não me lembro de nada do que aconteceu nas três horas seguintes! Sei que, quando voltei a mim, eu tinha comprado meias e cuecas com uma fartura imensa! Notei também que me doíam partes do meu corpo que, na verdade, não era suposto doerem; e que uma velhota ao meu lado sorria maliciosamente para mim, com um objecto, caracterizemo-lo assim, objecto de formato fálico na mão; mas sobre isso é melhor não pensarmos...
Fiquei sem saber o que fazer com aquelas coisas todas. Afinal ainda não era Natal! E por razões de segurança óbvias, tendo em conta o facto de que a velhota se aproximava de mim, ao mesmo tempo que me chamava "docinho" com uma voz perigosa e inesperadamente grossa (a níveis de grossura que eu, sinceramente, prefiro nem pensar...) , saí dali a correr! E agora, só lá volto no Natal!